1. Um caso de estrabismo

Tenho uma cliente que tem um estrabismo desde criança. Sempre foi chamada de estabanada pela família pois, por onde passava, esbarrava ou derrubava as coisas.

Mal sabia ela que o fato de ser desastrada estava relacionada à sua visão. Essa organização do corpo no espaço tem a ver com a nossa visão espacial. E o estrabismo nos diz que os dois olhos não estão se entendendo bem. Não conseguem se organizar para juntos chegarem ao objeto que desejam conhecer.

Descobrimos que o estrabismo dela é intermitente, ou seja, não acontece o tempo todo. Com o trabalho ela percebeu que, em momentos de estresse, ficava estrábica. Quando precisava pensar, elaborar mentalmente algo mais complexo, também aparecia o desvio.

Ela hoje tem a noção dos olhos mais cansados e sente quando fica estrábica. Aprendeu recursos para modificar essa condição a qualquer momento.

Em seu trabalho, precisa gravar vídeos, o que poderia ser motivo de muita tensão para organizar seus olhos junto à elaboração do conteúdo. Mas, segundo ela, hoje não fica tensa.

“Fico mais segura em gravar vídeos, em me expor quando meus olhos estão ‘trabalhados’. Sinto que tenho mais percepção espacial e que minha coordenação motora melhora muito. Os exercícios que antes eram difíceis para mim, hoje não são mais.

Ganhei resistência e procuro lidar de forma paciente com minhas dificuldades.”